Venezuela continua a ocupar o último lugar no ranking mundial de Estado de Direito, corrupção e limites do governo

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Infobae, 1 de fevereiro de 2018.
A falta de garantias democráticas sob o regime chavista rebaixou o país para o final da lista de 133 nações avaliadas em oito fatores. O Uruguai lidera na região e a Dinamarca obteve a melhor pontuação.
A repressão do regime chavista afundou a Venezuela no ranking.

A organização World Justice Project (WJP) apresentou o Índice de Estado de Direito 2017-2018, que mede o Estado de Direito em 113 países, entre os quais a Venezuela continua a ocupar o último lugar no ranking baseado em oito fatores: Limites ao Poder Governamental, Ausência de Corrupção, Governo Aberto, Direitos Fundamentais, Ordem e Segurança, Cumprimento das Leis, Justiça Civil e Justiça Penal.

O país petroleiro repetiu a última colocação, pois a ocupou também no estudo de 2016.

A pontuação da Venezuela e a comparação com o relatório anterior. Sua menor pontuação foi em relação aos limites dos poderes governamentais.

Na América Latina e no Caribe, o país melhor classificado foi o Uruguai, que ocupa a posição 22 em 133 países, seguido por Costa Rica e Chile, enquanto que o pódio mundial foi liderado pela Dinamarca, seguida pela Noruega e Finlândia.


Desde a publicação do último Índice de Estado de Direito em outubro de 2016, a maioria dos países do mundo assistiu a uma deterioração das pontuações em matéria de direitos humanos, limites ao poder governamental, justiça civil e justiça penal. O maior retrocesso foi observado no Fator 4, Direitos Fundamentais, onde 71 de 113 países apresentaram piora. Este fator mensura ausência de discriminação, direito à vida e à segurança, devido processo legal, liberdade de expressão, liberdade religiosa, direito à privacidade, liberdade de associação e direitos trabalhistas.

“Somos testemunhas de uma deterioração em nível global dos aspectos fundamentais para o Estado de Direito”, disse William H. Neukom, fundador e CEO do WJP. “Uma redução na adesão ao Estado de Direito em qualquer lugar é uma ameaça para o desenvolvimento de todas as partes”. No total, 34% dos países viram deterioração nas suas pontuações, contra dos 29% que obtiveram melhorias, tomando o índice de 2016 como referência – o que é uma tendência preocupante. Por outro lado, 37% dos países incluídos no Índice mantiveram pontuação constante.


O estudo foi realizado com base em mais de 110.000 pesquisas domiciliares e 3.000 questionários aplicados a especialistas.

O país que experimentou a mudança mais acentuada nesta edição do Índice (tomando como referência o Índice de 2016) foram as Filipinas, que caiu 18 posições, para ficar no posto 88. Em contraste, Burkina Faso, Cazaquistão e Sri Lanka tiveram os maiores aumentos no ranking, ao subirem 9 posições em comparação com o Índice de 2016.

Praga, República Checa: Memorial às Vítimas do Comunismo

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Praga, República Checa.
Seres em desintegração contínua representam uma poderosa recordação do custo humano do comunismo checo.

De 1949 a 1989, o país outrora conhecido como Checoslováquia foi governado por um regime comunista sob o qual experimentou a perseguição política em massa infligida a seus cidadãos. As vítimas daquela época turbulenta são recordadas pelo Memorial às Vítimas do Comunismo.

Este monumento estonteante foi inaugurado em 2002, mais de uma década após a queda do comunismo no país. Para retratar o sofrimento experimentado pelas vítimas do regime, sete estátuas de bronze, todas de homens nus, podem ser vistas descendo uma longa escada, com uma expressão de desespero em suas faces mutiladas. Enquanto a primeira estátua está inteira, a segunda possui um grande rasgo no seu tronco, e a terceira está sem um braço e parte do rosto. Cada próxima estátua ao longo da linha perde cada vez mais sua anatomia, como se estivesse sendo decepada, até a última ser pouco mais que um par de pés estropiado.

No caso de a representação ser muito emblemática para os visitantes compreenderem-na totalmente, uma placa de metal encontra-se no centro da escada detalhando o número de vítimas homenageadas. As estatísticas listadas são as seguintes:


  • 205.486 presos
  • 170.938 forçados ao exílio
  • 4.500 mortos na prisão
  • 327 mortos a tiros em tentativa de fuga
  • 248 executados


A despeito dos números, o comunismo é continuamente tema de controvérsia no país e as estátuas não foram universalmente bem-recebidas, com duas delas tendo sido danificadas por um atentado a bomba não reivindicado. Independentemente da indignação das duas partes, o Memorial às Vítimas do Comunismo permanece um poderoso lembrete da complicada história da República Checa.


Lê-se nesta placa de bronze do monumento: “O Memorial às Vítimas do Comunismo é dedicado a todas as vítimas, não só às que foram presas ou executadas, mas também àquelas cujas vidas foram arruinadas pelo despotismo totalitário.”

O Polígono de Semipalatinsk: o campo soviético de testes nucleares

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Semei, Cazaquistão.
Um dos mais horríveis legados da era da Guerra Fria: o local onde a União Soviética testou bombas nucleares contra civis.
Vista de uma das estruturas da área de testes nucleares soviéticos.

Antes de 1990, Semipalatinsk (atual Semei) era uma das numerosas cidades fechadas da União Soviética. Somente oficiais do alto escalão do Politburo sabiam sobre o que acontecia dentro dessas cidades. Ninguém, exceto os poucos com permissão, era autorizado a entrar ou sair dessas áreas, e essas cidades fechadas nem sequer apareciam em mapas ou placas de trânsito.

Quando a Guerra Fria terminou, a maioria dessas cidades fechadas foram abolidas, e os segredos que elas ocultavam vieram a público. Enquanto a maioria desses lugares eram apenas locais militares estratégicos ou áreas ambientalmente sensíveis de mineração, alguns deles realmente escondiam segredos incríveis — como a antiga cidade fechada de Semipalatinsk.

O Polígono foi o principal campo de testes nucleares da União Soviética. No total, 456 testes nucleares foram realizados entre 1949 e e 1989 em Semipalatinsk, incluindo 340 explosões subterrâneas e 116 atmosféricas. Ao todo, o número de explosões nucleares em Semipalatinsk equivale a mais de 2.500 bombas de Hiroshima. Um grande número de crateras, parcialmente cheias de água, dão testemunho desses experimentos. Não era o único centro de testes nucleares da União Soviética, mas era o único próximo a grandes áreas povoadas.

Uma das crateras formadas pelas explosões nucleares.

A União Soviética conduziu esses testes nucleares sem levar em consideração os efeitos sobre a saúde de 200.000 habitantes da região de Semipalatinsk, que não foram evacuados ou alertados durante a realização das explosões. Os habitantes locais em breve saberiam o que estava acontecendo, e apresentaram problemas de saúde logo após os primeiros testes. As taxas de câncer na área do Polígono dispararam, e, dois anos após os primeiros testes, nasceria um número preocupantemente alto de crianças com anomalias genéticas. Não havia nada que as pessoas pudessem fazer a respeito, uma vez que não tinham permissão para deixar os limites da área da cidade fechada.

Finalmente, em 1989, um movimento anti-nuclear chamado “Nevada Semipalatinsk” foi criado, que forçou a enfraquecida e cambaleante União Soviética a abster-se de futuros testes nucleares e desativar o local. Após a independência do Cazaquistão, o status de cidade fechada foi abolido.

O local pode ter sido desativado e os testes podem ter parado, mas o legado dos testes nucleares subsiste. Uma área de mais de 18.000 metros quadrados está fortemente contaminada, bem como 1,5 milhão de pessoas — um décimo da população total do país — foram diagnosticadas com problemas de saúde, que podem ser direta ou indiretamente atribuídos aos testes nucleares.

Ainda hoje, pessoas continuam a viver na área do Polígono. Visto que esta é uma das regiões mais pobres do Cazaquistão, poucas têm condições para se mudar. As que ficaram continuam a depender de alimentos e água locais contaminados, e até desmantelam estruturas do Polígono para conseguir sucatas de metal que possam vender. As taxas de câncer ainda são extraordinariamente por mais que tenham se passado décadas, tanto quanto as de leucemia, infertilidade e depressão. Até hoje, uma em vinte crianças nascem com graves defeitos de nascença — e quase nenhuma das dezenove nascem saudáveis.

O impactante documentário de 2010 “Depois do Apocalipse” descreve a situação atual do local.

Fonte.

Família Toledo: dois fuzilados em 1982, dois assassinados na prisão em 1984

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Cunhados fuzilados em 1 de outubro de 1982, na Prisão Fortaleza de La Cabaña, em Havana. Dois primos presumivelmente assassinados pelas autoridades penitenciárias em 1984, cujas mortes foram relatadas como suicídios.

Armando Hernández González, 29 anos. Executado em 1 de outubro de 1982, na Prisão Fortaleza de La Cabaña, em Havana.

Operador de equipamento de bombeamento na Usina de Tratamento de Água do município de Cotorro, distrito de Havana. Casado, deixou dos filhos, de 3 e 5 anos. Sua esposa, Odalys, cumpriu 8 anos de prisão. Detido em 23 de agosto de 1980, e condenado à morte, ele escreveu uma carta da prisão na qual dizia não ter permitido que os tempos difíceis que ele estava a enfrentar o diminuíssem, e que ele mantinha os pés firmemente no chão, acrescentando: “Quando eu me for, quero a minha bandeira como meu teto, a terra como minha mãe e, em vez de ar para respirar, a liberdade!”
                                     
Ramón Toledo Lugo, 39 anos. Executado em 1 de outubro de 1982, na Prisão Fortaleza de La Cabaña, em Havana.

Cunhado de Armando Hernández Toledo (irmão de sua esposa, Odalys). Operador de equipamento de bombeamento na Usina de Tratamento de Água do município de Cotorro, distrito de Havana. Detido em 23 de agosto de 1980, condenado à morte. Deixou dois filhos, de 5 e 7 anos. Sua esposa, Margarita, também foi detida e cumpriu 8 anos de prisão.

Edilio González Toledo e Antonio Toledo Rizo. Presumivelmente assassinados em diferentes prisões de Havana, em 1984.

Primos de Odalys Toledo (esposa de Armando Hernández) e de Ramón Toledo Lugo. Foram detidos na mesma perseguição de agosto de 1980 na qual muitos de seus familiares foram presos. As autoridades carcerárias alegam que eles se enforcaram com seus cadarços (que os detentos eram proibidos de ter) em ocasiões distintas.

RESUMO DOS ACONTECIMENTOS

Em 1980, como consequência do êxodo em massa de Mariel pelo mar, vários membros da família Toledo defendiam abertamente que os cubanos não se exilassem e, em vez disso, trabalhassem para provocar mudanças no regime a partir de dentro. Eles começaram a se reunir e imprimir folhetos conclamando as pessoas a se unirem. Posteriormente, durante o julgamento, foi descoberto que o grupo fora infiltrado por um espião do governo.

Em agosto de 1980, Armando Hernández (casado com Odalys Toledo) e Ramón Toledo, irmão de Odalys, foram detidos no seu local de trabalho e levados a Villa Marista, sede da Segurança do Estado em Havana. Sem saber onde eles estavam, suas esposas souberam imediatamente que algo estava errado e se esconderam com seus filhos na casa de campo de um membro da família. Na mesma semana elas foram descobertas. Certa noite, oficiais do governo prenderam todos os adultos e deixaram as quatro crianças pequenas (de 3, 5, 6 e 7 anos) sob os cuidados de uma tia que estava no início da adolescência. Elas sobreviveram “como animais” até que um casal de avós as encontrou três meses depois.

Os “conspiradores” foram julgados e falsamente acusados de um complô elaborado, de planejar atos violentos e possuir armas.

Com os pais e avós na prisão, as crianças foram autorizadas a visitá-los muito raramente. Os filhos de Hernández só viram seu pai cerca de duas vezes por ano durante os dois anos que ele passou na prisão antes da execução. Eles também sofreram graves abusos psicológicos, humilhações e provocações pelos guardas da prisão durante as visitas ao pai. Muitas vezes, passariam o dia esperando, das 7h às 16h, indo sem comida, apenas para serem informados de que a visita fora suspensa.

Em outubro de 1982, dois oficiais uniformizados do governo apareceram na casa da família para informá-la de que as execuções foram realizadas e entregar-lhe os atestados de óbito. Isso ocorreu na frente das crianças. A avó desmaiou, enquanto o avô socava a própria cabeça com os punhos, gritando que eles mataram seu filho “por nada”. Os guardas, enquanto isso, deleitavam-se em testemunhar o trauma da família.

Com o pai fuzilado e a mãe na prisão, as crianças tornaram-se párias sociais. Na escola, eram  constantemente ameaçadas e não tinham permissão para se aproximar da bandeira cubana, enquanto os professores as ignoravam e as faziam sentar-se no fundo da sala de aula. Uma vez, um carro tentou atropelar Armando Jr. enquanto ele andava de bicicleta numa estrada rural.

Depois que a mãe cumpriu oito anos de prisão e foi libertada, um guarda ia à sua casa todas as semanas para interrogá-la. Havia sempre um policial observando a família. Até que eles finalmente foram para o exílio.

Fontes: Cópia do Processo Judicial. Armando Hernández Toledo e Oraykys Hernández Toledo: Testemunho na sessão de informação do Arquivo Cuba na Universidade de Miami, 28 de fevereiro de 2006. Entrevistas com outros dois familiares que foram presos, pessoalmente, em Miami, durante 2005 (filmado), 2006 e 2007. Testemunho de um ex-preso político que, residindo hoje na Flórida, cumpriu pena com os membros da família, fevereiro de 2005, Miami. Cópia da carta escrita da prisão por Armando Hernández, datada de 10 de novembro de 1981.

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Foro Penal: 2018 inicia com 214 presos políticos na Venezuela

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El Universal, 2 de janeiro de 2018.

Repressão na Venezuela (Imagem: Arquivo).

EFE - A organização de defesa dos direitos humanos Foro Penal, que representa boa parte dos críticos do ditador Nicolás Maduro encarcerados na Venezuela, estimou hoje em 214 o número de pessoas privadas de liberdade que ela considera “presos políticos”.
“2018 inicia na Venezuela com 214 presos políticos. A lista já foi enviada para a OEA e para a certificação de Luis Almagro”, escreveu em sua conta do Twitter um dos diretores do Foro Penal, Gonzalo Himiob.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, anunciou pouco depois que certificara a lista, como vem fazendo todas as semanas a organização continental com as listas de presos que o Foro Penal elabora.

Mais de 40 críticos de Maduro que estavam presos foram libertados na véspera do último Natal, em um gesto de boa vontade do governo que fora exigido pela oposição no processo de diálogo que as duas partes mantêm desde o final do ano passado na República Dominicana, resumiu a Efe.

Embora a presidente de Assembleia Nacional Constituinte — instituição que autorizou formalmente essas medidas —, Delcy Rodríguez, tenha anunciado que cerca de 80 desses presos seriam libertados, por enquanto ainda não se produziram mais libertações.

Os libertados em dezembro aguardam a abertura dos tribunais em 8 de janeiro para conhecerem as medidas restritivas que podem acompanhar sua saída da prisão.

Uma das exigências da oposição no processo de diálogo, que será retomado com duas novas reuniões em 11 e 12 de janeiro em Santo Domingo, onde se espera que se chegue a um acordo para solucionar a profunda crise da Venezuela, é a libertação de todos os detidos por motivos políticos.

Os advogados de defesa dos direitos humanos que participam com a oposição nas negociações calculam em mais de 300 o número de presos políticos.

A cifra de “presos políticos” atingiu em agosto do ano passado na Venezuela um máximo histórico durante o chavismo de 676 presos, segundo os dados do Foro Penal.

Desde então, as autoridades têm realizado várias libertações, embora também tenha havido novas detenções, o que o Foro Penal chama de “efeito porta giratória”.

Militar venezuelano mata mulher grávida durante distribuição de pernis natalinos

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Diario Las Américas, 31 de dezembro de 2017.

O regime chavista incluiu as Forças Armadas — das quais faz parte a Guarda Nacional Bolivariana, a polícia militarizada — no esquema de distribuição de alimentos subsidiados com o qual o ditador Nicolás Maduro tenta lutar contra a inflação galopante no país. (Arquivo).

Um membro da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) matou neste domingo com um disparo uma mulher grávida durante uma distribuição de pernis natalinos subsidiados pelo Estado venezuelano no oeste de Caracas, segundo um boletim de ocorrência ao qual teve acesso a agência Efe.

O boletim indicou que um grupo de pessoas estava “à espera de benefícios sociais oferecidos pelo governo (pernil)” e “elas se tornaram violentas”, por isso “uma comissão da Guarda do Povo compareceu ao local, a fim de pedir-lhes que fossem para suas casas”.

Nesse momento, “um dos funcionários militares, fazendo uso indevido de sua arma de regulamento, efetuou disparos contra a multidão, ferindo a vítima, que foi transferida ao hospital mais próximo, onde deu entrada sem os sinais vitais”, indicou a polícia.

Centenas de venezuelanos protestaram nos últimos dias depois que o governo chavista descumpriu sua promessa de entregar para mais de 6 milhões de famílias pernis tradicionais de Natal com preços subsidiados.

O incidente foi confirmado também pelo vereador Jesús Armas do município Libertador, onde ficam os distritos Antímano e El Junquito, entre os quais ocorreram os fatos.

“Havia um operação de venda de pernis ali, mas os pernis não foram suficientes, então as pessoas começaram a protestar e o guarda ficou muito nervoso, entrou em desespero, e começou a atirar. Ele acabou atingindo esta jovem gestante de 18 anos na cabeça e outro jovem de 20 anos nas nádegas”, disse Armas.

O vereador solicitou informações de moradores locais que presenciaram a tragédia. Segundo a polícia, o fato ocorreu no “quilômetro 1 da Estrada Nueva Caracas-El Junquito, em frente ao módulo móvel” da GNB.

A vítima responde pelo nome de Alexandra Colopoyn, tem 18 anos de idade e estava grávida de 25 semanas, segundo o boletim policial.

O regime chavista incluiu as Forças Armadas — das quais faz parte a Guarda Nacional Bolivariana, a polícia militarizada — no esquema de distribuição de alimentos subsidiados com o qual o ditador Nicolás Maduro tenta lutar contra a inflação galopante no país.

Milhões de venezuelanos dependem dos alimentos que são distribuídos a preços reduzidos pelo Estado em face da explosão de preços que vive o país, que há semanas entrou em hiperinflação.

Fonte.

SNTP: Houve quase 500 violações da liberdade de expressão na Venezuela durante 2017

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RunRun.es, 27 de dezembro de 2017.

Repressão a jornalistas na Venezuela (Imagem: Arquivo).

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) documentou, entre janeiro e dezembro de 2017, 498 violações da liberdade de expressão na Venezuela, o que representa uma alta de 26,5% em relação ao mesmo período de 2016, quando foram registrados 360 casos. O número é também superior ao dos relatórios de 2015 (280 casos) e 2014 (420).

Esses acontecimentos “elevaram a níveis inimagináveis o cerco à imprensa independente”, diz o relatório da instituição apresentado nesta quarta-feira, 27 de dezembro. A cifra, segundo a organização, é “imprópria de regimes democráticos”.

De acordo com o SNTP, em 70% dos eventos relatados durante 2017 em todo o país, os responsáveis ou vitimários são membros dos órgãos de segurança do Estado.

O maior número de incidentes foi relatado em abril e maio, com 98 e 99 casos respectivamente. Foi nesse período que se relatou maior repressão nos protestos anti-governo que ocorreram na Venezuela. Esses meses foram seguidos por julho, com 70 casos, e junho, com 55.

“O SNTP documentou também a detenção ilegal de pelo menos 66 trabalhadores da imprensa, principalmente jornalistas, que cobriam as manifestações de rua ou faziam trabalhos investigativos sobre possíveis casos de corrupção, incluindo correspondentes estrangeiros. Julho, abril e junho foram os meses com mais encarceramentos: 14, 11 e 10, respectivamente”, afirma o documento.

Somente durante os 4 meses de protestos ocorreram 273 casos, dos 498 mencionados antes, afetando nesse mesmo período 464 trabalhadores da imprensa. Destes casos, 122 foram responsabilidade da Guarda Nacional, 36 da Polícia Nacional Bolivariana, 27 das polícias regionais, 45 de manifestantes e 37 de civis armados que, na maioria dos casos, agiram em cumplicidade com os uniformizados.

Houve nesse período 42 detenções e 14 sedes de meios de comunicação assediadas.

Além disso, pelo menos 49 meios de comunicação audiovisuais foram fechados na Venezuela durante 2017: 46 estações de rádio e três canais de televisão. Os canais colombianos RCN Televisón e Caracol Televisón, e a emissora CNN em espanhol foram retirados da grade das operadoras de TV por assinatura que funcionam no país.

“Mantêm-se as restrições à imprensa escrita, principalmente no acesso ao papel de jornal, cuja importação e distribuição no mercado local continuaram durante todo o ano monopolizadas pelo governo. Cerca de 20 jornais tiveram de fechar enquanto todos reduziram a paginação e a tiragem para garantir a circulação”, aponta o relatório.

Fonte.

Rosario López Gómez: uma mãe com o coração partido

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Rosario López Gómez (de Marquez), 56 anos

Morreu em 29 de setembro de 1964 devido a negligência médica enquanto estava aprisionada por causas políticas

A família de Rosario era do norte da província de Camagüey. A família inteira foi acusada de ajudar os rebeldes anti-Castro e julgada nos processos realizados nas montanhas (Registro Processual nº 533 de 1964). O marido e um filho cumpriram 12 anos de prisão; outro filho cumpriu 18 anos. Rosario foi enviada, junto com outras mulheres em circunstâncias semelhantes, para uma mansão em Miamar, Havana, abandonada por uma família que fugira da ilha e que fora convertida em um centro de detenção. Foi-lhe negado tratamento médico para sua hipertensão e ela faleceu de um ataque cardíaco.

Fontes: Entrevistas, pessoalmente e por telefone, com Amado Marquez, filho, 2005-2007. Fundação Nacional Cubano-Americana, Quilt of Fidel Castro’s Genocide, 1994. WAQI-Radio Mambí, List of victims, p. 41.

Venezuela: cada dia mais pobres

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A renda da maioria dos venezuelanos é insuficiente para adquirir produtos de primeira necessidade para alimentar-se, cuidar da saúde ou ao menos deslocar-se em transporte público.
Por Diario Las Américas, Editorial, 05 de dezembro de 2017.

O fenômeno da hiperinflação atinge todas as classes, no entanto, são os setores de menor renda os mais prejudicados. Já não se trata apenas de escassez, mas de poder comprar o que se consegue.

A renda da maioria dos venezuelanos é insuficiente para adquirir produtos de primeira necessidade para alimentar-se, cuidar da saúde ou ao menos deslocar-se em transporte público.

Com uma moeda completamente desvalorizada, com uma taxa de câmbio real que supera os 100.000,00 bolívares por dólar, é impossível para um venezuelano vencer a corrida dos preços de qualquer produto em uma economia dependente das importações.

O drama dos venezuelanos é tal que, de acordo com a estimativa da empresa privada Econométrica, a inflação diária em novembro foi de 1,67%, o equivalente à inflação mensal de um país como a Colômbia.

Em um ambiente como o venezuelano, não há planejamento possível e muito menos capacidade de poupança; o que há é uma luta dolorosa para sobreviver ao dia a dia e obter o indispensável.

Lamentavelmente, o governo não possui o recurso humano, nem uma estrutura produtiva nem muito menos a disposição para enfrentar essa crise hiperinflacionária. O regime de Nicolás Maduro é o único responsável por uma crise que fez com que os alimentos básicos tivessem seus preços elevados em mais de 800% nas últimas cinco semanas.

A hiperinflação, refletida em um aumento dos preços de mais de 50% nos últimos dois meses, é uma amostra do que o chamado Socialismo do Século XXI é capaz de fazer. Quando a América Latina parecia ter superado as hiperinflações, a Venezuela demonstra que um modelo equivocado é capaz de reproduzir velhos e dramáticos problemas econômicos e sociais, que acabam prejudicando a qualidade de vida de seus cidadãos.

Poder pagar pelas coisas é apenas uma das muitas batalhas diárias dos venezuelanos. O dinheiro em espécie também é escasso e encontrar as notas necessárias para o mínimo é uma angústia constante; as pessoas são forçadas a suportar longas filas nos caixas eletrônicos e nos bancos para sacar quantidades que, devido à taxa do dólar paralelo, talvez equivalham a centavos de dólar.

Não há forma de frear essa situação senão por uma mudança de modelo, e isso não é possível com o chavismo no poder.

100.000 visitas ao blog!

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Hoje, 04/12/2017, o blog Horror Vermelho completou 100.000 visitas desde sua criação em 29/11/2015.

A você, caríssimo leitor, agradecemos profundamente pela audiência proporcionada nesses dois anos.

Em retribuição, garantimos que os próximos serão ainda melhores!

Fraternalmente,
Comitê Editorial.